​A ganância é sempre ingrata

A vontade de querer ter tudo é insaciável onde não há espaço para qualquer tipo de dádiva. A pessoa gananciosa é cega em relação ao que já tem e ao que já é. Apenas olha para o que não tem. A ganância é uma tristeza que não reconhece as razões do que seria uma alegria...

Quantos de nós temos consciência do que já conseguimos ter e ser?

Esta destruição de nós mesmos apressa-se quando não nos reconhecemos como seres humanos com grande valor, e buscamos fora de nós coisas que suprimam esses vazios criados à força da inconsciência. Claro, muitas vezes a ganância esconde-se por trás de caridades e gratidões que mais não são senão meios para alcançar mais e mais. Na verdade, só se dão como forma de investimento, do qual esperam elevados juros.


A satisfação dos desejos nunca os satisfaz. Nunca é suficiente e apenas vem despertar e alimentar desejos ainda mais excessivos. A ira resulta da conjugação do orgulho com a ganância, pelo que da ganância à violência nunca se dá mais do que um passo.

O tesouro de cada um de nós não está nos bens que possuímos. A riqueza e a miséria dependem da capacidade de sermos íntegros, generosos e gratos.

Quem seria eu sem aqueles que com o seu amor me ofereceram o melhor de si?

Quem sou eu quando me julgo pobre sem o ser?

O que faz brilhar um coração é a bondade e a doce recordação das ajudas recebidas.

Devemos amar. Apesar de todas as ingratidões, o amor é o único caminho para a paz dos que andam perdidos de si mesmos.

O amor não se retribui. Inspira a amar.


Por José Luís Nunes Martins
(ilustração de Carlos Ribeiro)

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